OS ANJOS TAMBÉM SANGRAM
Descalça ela estava. Com a maquiagem toda borrada e o choro amargurado. Descendo a Serra em pensamento de delírios e orgías da carne. O apego é o grande mal da humanidade. Suas unhas já com a fúria do descasco do esmalte refletia a luz do poste da rua sem saída. A fúria na procura insâna de sua cura, o seu anjo calado voava longe em seu corpo amado e amarrado. O sangue escorria de seu nariz, seu olhar ia longe em busca da purificação, dentro daqueles olhos verdes só se encontrava um vulcão em erupção. O anjo sangrava e seu olhar perdido sabe-se lá onde dizia alto em seu pensamento:"Por que comigo?". O descontrole foi tamanho, a confusão de pensamentos resulta-se em maus sentimentos. A posse em seu maior grau de inferno jamais está associada ao universo de um anjo. Os anjos precisam estar livres para cultivar e distribuir o bem. A doença não tem nada a ver com a troca. Quem ama, ou melhor dizendo, até pra se amar é necessário saber. O amor é livre. O amor precisa ser livre, é necessário distribuí-lo em seus graus e categorias. O amor precisa ser amigo, precisa ser amante, precisa ser sócio, precisa ser familiar ou até mesmo um tratante. Mais que tudo isso, precisa ser universal. A loucura caminha em seus passos de balé junto a avenida principal e fica em primeiro plano junto a veículos em seu avesso descontrolados. O anjo em seu refúgio junto a risadas convocadas de mais ar. Foram poucas horas, porém, pra se sentir livre parecia uma eternidade. O barulho das ondas orquestravam-se junto a histórias do grupo de amigos que harmoniosamente composto de olhares alegres e risadas gostosas se via o horizonte. A respiração era leve e a satisfação parecia a saudade de uma jornada deixada há algum tempo. O sono bateu no meio de seu caminho, feito junto de amigos que trilhavam o caminho como grandes formigas. Tudo parecia satisfatório, até mesmo o sono, mas ao mesmo tempo estranho, para um anjo que adora voar e carregar tantos outros, aquilo parecia impossível. Era o aviso. A fúria estava a chegar, descalça e com a maquiagem toda borrada. E naquele momento, os anjos só poderiam dizer amém.
Lamentável.
Escrito por Patrícia Lobo às 12h49
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