E a gente se entende. Sempre.
A casa estava cheia e a gente se entendia, como sempre. Na observação calada e aparente, estávamos nós nos percebendo, na oportunidade certeira de nós criarmos signos para somente o nosso entendimento.
Estava você e o seu lado. Você sabe que não me importo com isso, a minha presença importa mais não sei bem ao certo se pra mim ou pra você, com isso ou sem isso eu não me importo.
Barulhos perfeitamente orquestrados no ambiente, eram os gritos das latinhas de cervejas em sua abertura, e mesmo assim de fundo a televisão.
Pessoas circulam no ambiente via banheiros, geladeira e social e, lá estávamos nós no entre disso tudo a espera de nossas próprias guias.
As cascas de nossas amêndoas se cruzavam como olhares certeiros em risco diante de uma grande encrenca nos olhos dos fantasmas que nós mesmos criamos ao ponto, de nos proteger por trás da feroz que nós insistimos e não assumir que temos e tememos, o nosso próprio medo.
A gente se provoca como crianças brincando de esconde - esconde e pega – pega. A gente se esconde e em nossa imaginação, a gente se pega. A gente quer brincar da brincadeira mais perigosa que por um tempo era desejo, que por um outro lado era questão de vaidade, mas quando descobrimos que era simplesmente medo, quando tudo se tornou pequeno a gente preferiu se esconder atrás do medo e por um certo segundo de tempo desejar até mesmo o ódio quando descobrimos que era simplesmente, amor. Mesmo assim, a gente preferiu o entre e é inevitável nossa condição de silêncio a preferir mais que nunca a verdade escondida entre as guias e nossa consciência que é tão amiga e verdadeira no ato do ser, do é, e do sentir o que circulou essa vontade de querer de uma forma tão maluca quanto a nossa de dizer, meu amor.